De onde vieram os nomes das notas musicais? A história de Guido d'Arezzo
Se você já estudou música ou simplesmente ouviu a escala musical, com certeza conhece as notas Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si. Mas você já se perguntou quem inventou esses nomes e por que usamos exatamente essas sílabas?
A resposta nos leva direto para a Idade Média, no século XI, e ao monge italiano Guido d'Arezzo.
O desafio do ensino musical na Idade Média
Antes do século XI, não existia um sistema padronizado para nomear as notas ou registrar alturas exatas em uma pauta como conhecemos hoje. Os cantores das igrejas precisavam memorizar centenas de cantos gregorianos apenas "de ouvido", um processo demorado e sujeito a erros.
Guido d'Arezzo, um teórico musical e monge beneditino, percebeu que precisava de um método mais prático e visual para ensinar os alunos a cantar as notas corretas à primeira vista.
O Hino a São João Batista
Para criar o seu sistema de memorização, Guido utilizou um canto muito conhecido na época: o Hino a São João Batista (Ut queant laxis).
O grande diferencial dessa melodia era que cada frase musical começava em um tom progressivamente mais alto que o anterior. Guido pegou a primeira sílaba de cada verso para dar nome aos sons:
UT queant laxis
REsonare fibris
MIra gestorum
FAmuli tuorum
SOLve polluti
LAbii reatum
Assim nascia o sistema de solfejo com as seis primeiras notas: Ut, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá.
Como o "Ut" virou "Dó" e o surgimento do "Si"
O sistema de Guido funcionou tão bem que se espalhou por toda a Europa, mas com o passar do tempo passou por duas grandes modificações:
A inclusão do "Si": No final do século XVI, a sétima nota foi adicionada para completar a escala de 7 sons. O nome SI veio do acrônimo das iniciais de Sante Iohannes ("São João").
De Ut para Dó: No século XVII, a sílaba Ut foi considerada difícil de ser cantada e articulada no solfejo. Ela foi substituída por Dó (provavelmente vinda de Dominus, que significa "Senhor", ou homenagem ao teórico Giovanni Battista Doni).
A contribuição de Guido d'Arezzo revolucionou a história da música ocidental. Além de nomear as notas, ele deu os primeiros passos para a criação da pauta musical, organizando as linhas e espaços para indicar a altura exata de cada som.
Hoje, séculos depois, continuamos usando a ideia desse monge medieval toda vez que lemos uma partitura ou cantamos uma simples escala.
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